Autor: Irvin D. Yalom
Editora: Ediouro
Ano: 2000
Introdução: O livro conta a história da amizade fictícia entre o Dr. Breuer e Nietzsche.
Josef Breuer, um dos pais da psicanálise, está prestes a se deparar com um grande desafio: tratar do filósodo Friedrich Nietzsche, atormentado por uma crise existencial e por uma depressão suicida. Mentor de Freud, Breuer, entretanto, vive também um momento de angústia, obcecado pelas fantasias sexuais com Anna O., jovem de quem tratou com seu novo métodoterapêutico.
O encontro destes dois homens extraordinários resulta numa profunda amizade, criada pelo imaginação poderosa de Irvin D. Yalom. (sinopse d livro)
Bom... o que dizer desse livro. Eu mesma ainda o estou processando, mas mesmo assim decidi fazer a resenha um dia depois de ter terminado de lê-lo, enquanto as idéias ainda estão frescas!
Para quem não sabe, eu estudei Psicologia durante 5 anos na faculade. E durante esses 5 anos, a abordagem que mais escutei falar foi a Psicanálise de Freud. E desde do primeiro dia, eu renegei essa abordagem... em parte por não concordar com os pensamentos de Freud e em parte pq odiava a minha professora de psicanálise (por uma irônia escrota do destino, ela foi também a orientadora da minha monografia).
Esse livro, mesmo que fictício, contém fatos reais e descreve a psicanáslise de forma real. Pelo primeira vez na vida, li algo sobre psicanálise com gosto! Totalmente com outros olhos. É engraçado aprender tanto sobre uma pessoa (Freud) e seus métodos de uma forma teorica, e agora ver tudo de um modo diferente. Nesse livro Freud é apenas coadjuvante, e ao contrário do "Deus da Psicanálise" que eu sempre vi, o autor inventou um Freud mais humano, tocável. Hoje também vejo a psicanálise de outra forma, e penso que talvez não devesse ter lutado tanto contra ela. Afinal, nenhuma abordagem está 100% certa, ou errada, apesar de me identificar mais com a Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung (que por outra irônia do destino foi um suiço, de Zurique). A técnica da hipnose também despertou um pouco da minha curiosidade.
Meu personagem preferido é o Dr. Breuer. Apesar de nunca ter ouvido falar dele antes (ou nunca ter prestado atenção direito nas minhas aulas de psicanálise), foi com ele que me identifiquei, com ele e com seus "problemas" (e antes que alguém pergunte... não, não tenho fantasias sexuais com ninguém!)... me identifiquei com a sua insatisfação pela vida que leva, sem saber ao certo até onde foi escolhida por ele mesmo ou empurrada/forçada por outros. E a sua imaginação de como seria se pudesse começar de novo, que partes faria novamente, em que parte corrigiria os "erros".
Encaixou perfeitamente no meu momento. E embora esse livro não tenha nenhuma booktrack (é difícil combinar músicas de 2008, 2009 e 2010 com um romance ambientado no ano de 1882!), ele teve uma passagem muito importante para mim:
"Quis dizer apenas que, para se relacionar plenamente com outro, você precisa primeiro relacionar-se consigo mesmo. Se não conseguimos abraçar nossa própria solidão, simplesmente usaremos o outro como um escudo contra o isolamento. Somente quando consegue viver como a águia, sem absolutamente qualquer público, você consegue se voltar para outra pessoa com amor; somente então é capaz de se preocupar com o engrandecimento do outro ser humano." - Nietzsche
Não preciso nem dizer que isso tem muito ou tudo a ver com os pensamentos que venho tendo e como esse livro contruibuio para os meus pensamentos. Também, como no livro do mês passado, teve várias palavras e expressões em alemão (novamente irônia do destino ou um sinal?!) Agora quero ver o filme e ser totalmente desapontada pela adaptação! haha!
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Essa resenha, referente ao mês de fevereiro (para ler a do mês de janeiro, clique aqui), faz parte do projeto 12 livros em 12 meses, criado pela Paulinha do blog Canetas Coloridas.




9 comments:
Oi, Bia,
Vc é corajosa em ter lido esse livro...ele é mto denso, complexo.
Bjos,
Paulinha
Não acredito, Freud também tem defeitos! Essa eu tenho que ver. Dr Breuer, será que faltei a essa aula?!. Bis bald, Mary.
Eu ganhei esse livro como presente de aniversario tem uns 3 ou 4 anos.
Contrária a vc eu gosto de psicanalise e um romance sobrea historia da psicanalise foi uma leitura gostosa.
Me indentifiquei tb. E concordo plenamente com esse trecho que vc transcreveu no post.
Tb estou esperimentando essa "solidão", tentando viver como águia e relancionando-se bem cmg mesma.
Lembrei agora que o meu livro esta emprestado com a pessoa que me deu ele de presente.
Senti saudade do livro agora.
Bj
Bia, eu adorei este livro. E vc fez uma resenha maravilhosa sobre ele. Eu também me identifiquei com o Dr. Breuer e vc tem razao em dizer que o livro mostrou um Freud mais humano. Quem sabe ele era assim mais humano, mas as pessoas o pintaram de uma outra forma por causa do nome que ele carregou: "O Deus da Psicanálise."
Bjao
faz tempo q estou para ler esse livro,mais faltou uma motivacao,quem sabe agora nao fico com coragem e comeco,
beijaoooo.
Paulinha: é denso, mas foi muito bom para o meu momento.
Mary: Eu e vc faltamos a aula! haha!
Jane: Estou fazendo justamente isso, curtindo a solidão! :)
Georgia: Agradeço a vc muito por ter me emprestado o livro!
Se Freud foi mesmo mais humano ou se essa humanização faz parte da imaginação do autor... ai eu ja não sei!
Andreia: Eu recomendo! :)
bjs
Bia.. muito legal a resenha. Eu tb sempre me identifiquei mais com Jung embora ache q Freud estivesse certo em algumas coisas.. Tudo acontece por uma razão :)
Eu, simplesmente, amei esse livro. Corro o risco de dizer que foi o melhor que já li na minha vida.
Também estou participando do projeto =D
Adorei o layout do seu blog e o nome"the pages of my life".
Ótimo livro! Acho que foi o melhor livro que já li. Ainda irei ler ele de novo pra poder aproveitar melhor, li ele com 19 anos e acho que maturidade conta muito na hora de ler um livro denso como esse. Gostei de seu "resumão" do livro, e o trecho que você escolheu como favorito foi justamente o meu preferido (foi através dele que encontrei o seu blog hehehehe). Acabei de ler agora 1984 de George Orwell, outro ótimo livro! Bjos e boa sorte com seu suiço :P
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